sexta-feira, 26 de junho de 2015

Após crise, jovem cria sistema que reaproveita água de máquina de lavar

Iago Santos, de 18 anos, desenvolveu projeto em Jacobina, norte do estado.
Método usa água de aparelho doméstico na descarga de vaso sanitário.

Henrique MendesDo G1 BA

A experiência recente de convívio com a crise hídrica levou um jovem morador do município de Jacobina, no norte da Bahia, a desenvolver um sistema de reaproveitamento de água da máquina de lavar para a descarga do vaso sanitário. O inventor do projeto é Iago Santos, 18 anos, aluno do quarto ano do ensino médio cursado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), numa formação integrada com o curso técnico em eletromecânica

"Tivemos uma escassez de água em 2012 e comecei a estudar para ter embasamento teórico sobre o assunto, para saber como poderia ajudar. A ideia veio de casa. Minha mãe já armazenava água [da máquina de lavar] na área de serviço, só que o uso no banheiro era manual", disse sobre a ideia inicial de desenvolvimento do sistema de reaproveitamento.

Segundo Iago Santos, após pesquisas na internet e livros de eletromecânica, a primeira ideia do que seria o sistema foi implementado na própria casa, em junho de 2014. Por meio do uso de tubulações, transformador de energia e reservatório, o estudante elenca que conseguiu criar um projeto exequível e de baixo custo.

Três meses após a criação, com a percepção de que o projeto era realidade, Iago detalha que apresentou o sistema para dois professores, que passaram a auxiliá-lo em alguns aperfeiçoamentos. "Depois de seis meses de testes, eu me senti à vontade para apresentar às pessoas agora [fevereiro]. Já comecei a ser procurado por alguns interessados em instalar o sistema nas próprias casas. A primeira foi a minha vizinha", destacou.

Iago detalha que a ideia foi criar um sistema automatizado para conduzir a água do reservatório da máquina de lavar até o vaso sanitário com baixo custo, fácil instalação e pequeno consumo de energia.

Em casa, onde o sistema já opera há quase um ano, o estudante conta que, a cada duas semanas, tem usado apenas 100 litros de água da rede de fornecimento do município na descarga. Antes, eram 600 litros por dia. "A economia vai depender de quantas pessoas têm na casa e quantas vezes elas usam a máquina de lavar, além do tamanho da máquina", diz.

Economia
Com o sistema criado por Iago, a água usada na lavagem de roupas é direcionada para um reservatório e, por meio de um bombeamento com baixo consumo de energia, é conduzida para a descarga do vaso sanitário. A boia da descarga é usada como chave para a entrada da água proveniente da máquina de lavar. Quando a boia está alta, a chave está aberta.

O sistema é barato, custa em média R$ 200, e também consome pouca energia. É outro ponto bom de destacar, já que estamos num período em que se fala muito em crise no fornecimento de energia", explica. Ele conta que a fonte de bombeamento é de 12 volts.

Prestes a se formar no curso técnico em eletromecânica - no final de 2015 -, o estudante diz que o projeto será utilizado como trabalho de conclusão de curso, com a ideia de possibilitar a instalação gratuita nas demais residência do município. Sobre oportunidades de patrocínio, ele diz que esse não é o foco.

"Usei meu estudo para resolver um probelma social e pensando nas gerações futuras. Eu fiz o sistema para que seja voluntário. A ideia é contribuir para que as pessoas façam o melhor uso da água. Se, futuramente, tiver oportunidade de usar meu projeto como meio de sobrevivência e puder trabalhar com isso, claro que eu ficaria feliz. Entretanto, a ideia de ser patrocinado não é meu foco", comenta.

Fonte: http://g1.globo.com/bahia/noticia/2015/02/apos-crise-jovem-cria-sistema-que-reaproveita-agua-de-maquina-de-lavar.html

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Escola em Paraty (RJ) aboliu provas, disciplinas e séries há um ano

Por Daniel Froes | 17 de junho de 2015 


A escola é pequena, tem apenas 50 alunos. Mas, a sua capacidade de inovar na maneira de ensinar é grandiosa. Há um ano, a Escola Comunitária Cirandas, em Paraty (RJ), trabalha com um método de ensino sem matérias, provas ou séries. Nem sinal de recreio existe. 

As crianças chegam ao colégio às 8h e participam de uma roda de cantos, poesias e tai chi chuan “para despertar o corpo”, diz a diretora da escola, Mariana Benchimol, em entrevista para a Folha de S. Paulo. Elas só voltam para suas casas às 15h20. 

A escola possui uma sala de iniciação, onde os alunos são alfabetizados, e outra de projetos, reservada para as atividades semanais. Na hora da refeição, eles servem e lavam os próprios pratos, se revezando na organização do refeitório. Os estudantes também participam de projetos anuais, como acontece nas escolas da Finlândia, reconhecida mundialmente pela excelência na educação. 

No ano passado, a direção da escola e as crianças planejaram uma viagem para o Havaí. “Primeiro, eles queriam surfar no Havaí, mas viram que não seria viável e organizaram uma viagem para uma praia perto”, relembra a diretora. Eles calcularam custos, arrecadaram fundos e escreveram o roteiro da viagem.

Mariana acredita que o ensino tradicional desconsidera as diferenças entre os estudantes e que seguir uma apostila pré-elaborada fere a autonomia da criança. “Aqui, o professor tem um planejamento que não é uma grade. Ele ouve as crianças e traz o conteúdo curricular de forma transversal”, reflete. 

Os alunos são divididos por afinidade de conhecimentos, maturidade, idade ou por projetos. E todos eles pertencem a um único ciclo, que corresponde ao 1º e ao 5º ano do ensino fundamental.

 E, mesmo que não haja provas, as crianças são avaliadas. A escola conta com uma base interna para acompanhar os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). 

O valor da mensalidade de que quem paga para estudar na escola é de R$ 1.000,00 reais. Mas, metade das vagas é reservada para alunos bolsistas. “Temos filhos de banqueiros convivendo com filhos de trabalhadores domésticos. Alguns viraram melhores amigos e frequentam a casa um do outro”, diz orgulhosa a diretora.

terça-feira, 24 de março de 2015

FINLÂNDIA SERÁ O PRIMEIRO PAÍS DO MUNDO A ABOLIR A DIVISÃO DO CONTEÚDO ESCOLAR EM MATÉRIAS.

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A campainha toca, mas, em vez da aula de História, começa a aula de “Primeira Guerra Mundial”, planejada em conjunto pelos professores especialistas em História, Geografia, Línguas Estrangeiras e (por que não?) pelo professor de Física que achou que seria uma boa oportunidade para trabalhar os conceitos de Balística.
À tarde, outro sinal, mas os alunos não vão ter aula de Biologia. Hoje a aula é sobre “Ecossistema Polar Ártico”, ministrada pelos professores especializados em Biologia, Química, Geografia e o de Matemática, que percebeu que os dados sobre o derretimento das geleiras seriam úteis para o estudo de Estatística.

Em pouco tempo, cenários como esse, que já são comuns nas principais escolas da capital Helsinki, poderão ser encontrados em toda a rede de ensino do município e nas cidades do interior. O objetivo é claro:
A Finlândia quer ser o primeiro país do mundo a abolir completamente a tradicional divisão do conteúdo escolar em “Matérias” e adotar em todas as suas escolas o ensino por “Tópicos” multidisciplinares (ou “Fenômenos”, conforme a terminologia adotada pelos educadores finlandeses).
Há anos, a educação finlandesa vem sendo considerada a melhor do mundo. Com “segredos” como valorização dos professores, atenção especial aos alunos com mais dificuldades, valorização das artes e de diferentes formas de aprendizagem e uma radical redução no número de provas e testes, o país tem consistentemente dividido as mais altas posições nos rankings do PISA (Programme for International Student Assessment, ou Programa para Avaliação Internacional de Estudantes) com Cingapura, mas com as vantagens de oferecer uma educação universalmente gratuita e livre dos tremendos níveis de estresse aos quais os estudantes asiáticos são submetidos.

Apesar dos excelentes resultados (ou talvez por causa deles), a Finlândia pretende continuar repensando e aprimorando seu sistema educacional. “Não é apenas Helsinki, mas toda a Finlândia que irá abraçar a mudança”, afirma Marjo Kyllonen, gerente educacional de Helsinki. “Nós realmente precisamos repensar a educação e reprojetar nosso sistema, para que ele prepare nossas crianças para o futuro com as competências que são necessárias para o hoje e o amanhã. Nós ainda temos escolas ensinando à moda antiga, que foi proveitosa no início dos anos 1900 – mas as necessidades não são mais as mesmas e nós precisamos de algo adequado ao Século 21.”

Naturalmente, a ideia de substituir “Matérias” por “Fenômenos” como forma de dividir o conteúdo escolar e apresentá-lo aos alunos sofreu resistência inicial, principalmente dos professores e diretores que passaram suas vidas se especializando e se preparando para ensinar matérias. Mas com suporte do governo – inclusive incentivos financeiros através de bonificações para os professores que aderissem ao método – os professores foram gradualmente se envolvendo e hoje aproximadamente 70% dos professores das escolas de ensino médio da capital já estão treinados e adotando essa nova abordagem.

Atualmente, as escolas finlandesas já são obrigadas a oferecer ao menos um período de ensino multidisciplinar baseado em Fenômenos por ano. Na capital Helsinki, a reforma está sendo conduzida de forma mais acelerada, com as escolas sendo encorajadas a oferecer dois períodos. A previsão de Marjo Kyllonen é de que em 2020 a transição estará completa em todas as escolas do país.

http://rescola.com.br/finlandia-sera-o-primeiro-pais-do-mundo-a-abolir-a-divisao-do-conteudo-escolar-em-materias/

quinta-feira, 12 de março de 2015

Ódio ao PT?


Na história do Brasil, sempre que o salário mínimo e a renda média subiram, houve algum tipo de intento golpista. O problema da elite não é com a corrupção.
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/odio-ao-PT-/4/33042
Róber Iturriet Avila*
Três intelectuais de relevo trataram recentemente acerca do ódio ao PT: Leonardo Boff, Luis Fernando Veríssimo e Luiz Carlos Bresser Pereira. Suas palavras têm a lucidez de quem enxerga além das aparências e do senso comum. Embora o momento corrente não seja corriqueiro, um olhar histórico traz ensinamentos.
 

Na Revolução Francesa, por exemplo, na aparência havia uma ruptura lastreada em novos valores: Liberté, Egalité, Fraternité. O pano de fundo real era, entretanto, a emergência de um novo grupo. Em meio a um período econômico conturbado, a burguesia degolou o poder político e o status social da aristocracia.

No Brasil, a constatação de que a escravidão foi excessivamente longa já sinalizava que o arranjo da sociedade é deveras estamental. Políticas progressistas sempre encontraram fortes barreiras conservadoras.

Os conflitos de 1954, por exemplo, foram intensos. Na superfície, o governo estava cercado diante dos “escândalos” de corrupção. A constante oposição na imprensa desgastava Vargas. Em 1954, o então presidente aumentou o salário mínimo em 100%. Quem não é ingênuo sabe que Vargas estava contrariando interesses empresariais, tanto com a concessão de direitos trabalhistas e civis, quanto com ampliações salariais. O suicídio foi a saída honrosa ao cerco montado.

João Goulart foi presidente em um período de conflitos. Seu governo concedia elevados aumentos salariais, prometia reforma urbana, voto de analfabetos, elegibilidade de todos brasileiros, reforma agrária, concessão de terras a trabalhadores rurais, justiça social, emancipação dos brasileiros. Caiu! O receio do “golpe comunista” foi o discurso raso que justificava.

Vargas e Goulart saíram do poder ao tempo em que concediam direitos sociais, sobretudo aos menos favorecidos. Não é novidade que durante os governos do PT, os trabalhadores ampliaram sua renda, o salário mínimo cresceu de maneira contínua e houve uma série de programas sociais. Não surpreende que, mais uma vez, setores da sociedade brasileira se ergam contra tais políticas, ainda que, escamoteadamente, o bordão seja “contra a corrupção”.

Evidentemente, existem elementos factuais dos governos Lula e Dilma que causaram desconforto e indignação a todos os cidadãos. Contudo, é preciso muita inocência para imaginar que as manifestações contra o governo são incentivadas pelo descontentamento com a corrupção, pela elevação do preço do combustível ou da energia. Quem tem conhecimento histórico e compreensão profunda da sociedade não ignora a ojeriza existente a um programa que garante R$ 35,00 para os pobres. O ódio não é ao PT.

Conhecendo um pouco mais dos dados do Brasil se observa que houve dois momentos de crescimento relevante do nível dos salários: no período Getúlio Vargas - João Goulart e nos governos do Partido dos Trabalhadores. Os gráficos abaixo não apenas demonstram esses movimentos como indicam que presentemente o excedente operacional bruto caiu em relação ao produto total em detrimento do incremento nos salários. Interesses poderosos estão sendo feridos. Não apenas segmentos estão perdendo, em termos relativos, como também regiões. Será mesmo preciso pintar de azul em um mapa qual região perde mais com a solidariedade distributiva?






Doutor em economia, pesquisador da Fundação de Economia e Estatística e professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

De volta às aulas


Vivemos um tempo desafiador. Exigente das melhores posturas e de grande firmeza. A infância e a juventude, que a escola acolhe, construirão sob a orientação dos professores/educadores a sociedade mais justa que desejamos. A reflexão sobre o fazer pedagógico e a função social da escola deve ser um exercício diário. Estamos, constantemente, expostos a notícias que nos apontam um processo de desumanização, eivado de egoísmo, de descaso com o outro e com o que é público. Pouquíssimas são as notícias que nos edificam e alimentam nosso contentamento, nossa esperança, nosso encanto com a vida. O cenário de falência civilizatória interfere, sobretudo, nos estudantes e em suas famílias. Portanto, estar diante deles demanda o enfrentamento desta realidade.

A escola e especialmente a pública, talvez mais do que na sua origem, e bem para além do discurso, tem responsabilidade com a construção dos conceitos de justiça e igualdade. Sem abrir mão do seu caráter científico, a educação escolar precisa investir na formação do ser humano, contrapondo-se às ações embrutecedoras de caráter egoísta. Precisamos então ser super professores? Creio que não. Precisamos ser o que já somos, homens e mulheres que no exercício de sua cidadania, através do diálogo e da reflexão, desempenham atividade profissional como Educadores Libertadores, pois “Educar é construir, é libertar o ser humano das cadeias do determinismo”.

No último período de governo investimos na reestruturação física e na modernização tecnológica. Realizamos obras grandes e pequenas em 37 das 40 escolas da rede. Renovamos os PCs das secretarias, entregamos 10 Laboratórios TI contendo 14 PC e 1 servidor cada; 15 Laboratórios Móveis contendo 35 netbooks e armário alimentador e, através do Processo de Participação Popular e Cidadã, recursos para 17 escolas adquirirem lousa digital. Os processos de reestruturação curricular foram acompanhados de formação continuada utilizando-se de convênio e parcerias, como de recursos estaduais e programas federais com o Pacto pela Alfabetização na Idade Certa, o Pacto pela Melhoria do Ensino Médio, ampliação dos Programas Mais Educação e Ensino Médio Inovador. A valorização profissional dos docentes e servidores passou pela preservação das carreiras, promoções, realização de concurso público, reajuste salarial superior à inflação.

Os resultados destes esforços combinados revelou-se na redução da repetência em 3 pontos percentuais tanto no Ensino Médio como no Fundamental. A dinamização do currículo escolar ficou evidente na interação entre os níveis e modalidades de ensino, expressa em diversas mostras, festivais, exposições e eventos esportivos realizados pelas escolas da nossa região.

Quero desejar aos professores e professoras um bom retorno ao trabalho, ao convívio com os colegas e com os estudantes em suas comunidades escolares. (Já estou com saudade). Tenho certeza que as experiências anteriores e as boas práticas realizadas serão o referencial para continuarmos avançando na construção de uma educação de qualidade social.

Bom trabalho!

Profª Neila Gonçalves Silva

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Vamos conhecer mais um pouco sobre nossa história?

Por: Willy Cesar Rodrigues Ferreira


Andam dizendo por aí que "corrupção e propina em obras públicas no Brasil é coisa que surgiu somente nos últimos 50 anos, da ditadura militar para cá...". E que se rouba dinheiro público hoje, como nunca se roubou antes!
Corrupção e obra superfaturada são coisas velhas no Brasil, gente!

Um dos grandes senadores da história da primeira República foi o gaúcho José Gomes Pinheiro Machado, fundador do Partido Republicano Conservador, de caráter nacional. Atingiu poderes ilimitados na Velha República, (1889-1930), como o de "controlar a Comissão de Verificação de Poderes, cuja função era definir quais candidatos eleitos pelo voto poderiam tomar posse, poder de julgamento da regularidade e licitude das eleições, hoje, da competência da justiça eleitoral. Com este poder em mãos, eliminou no nascedouro diversos mandatos parlamentares.



Pois esse senador, depois do presidente da República Nilo Peçanha, era quem mais tinha influência no Brasil, de 1909 até seu assassinato em 1915. O também gaúcho Mansio de Paiva, que chegou a trabalhar numa padaria aqui em Rio Grande, mas não era nascido aqui, tomou um navio em nosso porto para a capital da República. Ainda deixou-se fotografar aqui, a foto existe. Saiu dizendo: vou ao Rio matar o Pinheiro Machado!

Dito e feito. No dia 8 de setembro de 1915, apunhalou o senador, cuja política ele julgava nefasta. Ao matar sua vítima, sem dar-lhe chance de defesa, não fugiu e calmamente entregou o punhal ensanguentado para as pessoas que estavam com o político. Preso, foi condenado e disse até a morte: "agi por conta própria!".

Agora vem a corrupção e a propina.

O capitalista Percival Farquhar, norte-americano, e o banqueiro Hector Louis Legru, francês, foram os sócios majoritários da Companhia Francesa, que assinou contratos com o governo brasileiro para as obras do porto e barra do Rio Grande, com a construção dos molhes.


A Cia. Francesa foi autorizada a funcionar pelo decreto 7007, de 2 de julho de 1908, quando foram levantados 100 milhões de francos-ouro, ou 19 milhões de dólares, e as obras começaram.


Segundo o biógrafo Charles Gauld, autor do livro "Farquhar - O último titã",

"...Farquhar precisou pagar o preço da interferência da engenharia francesa, além de uma custosa extorsão feita pelos brasileiros.

Estes brasileiros eram políticos vinculados ao senador Pinheiro Machado que, utilizando-se de informações privilegiadas de governo, compraram terras em Rio Grande, essenciais ao canteiro de obras antes, para vendê-las a preço superior, depois. Farquhar apelou em vão ao senador e ao ministro Francisco Sá, da Viação e Obras Públicas, tendo que afinal pagar 900 contos de réis por áreas que mal valem 100 contos.


Gauld acrescentou que "...os políticos construíram instalações portuárias para rivalizar com ele (Farquhar) em Pelotas, à margem da Lagoa dos Patos, a 55 quilômetros de distância de uma das ferrovias que Farquhar controlou entre 1911 e 1915, prejudicando Rio Grande".


E possível retroceder bem mais. Quem leu a biografia do Barão de Mauá, empreiteiro no Segundo Império, do jornalista e biógrafo Jorge Caldeira, sabe bem. Também o livro "Chatô - O rei do Brasil", de Fernando Morais, contém tratativas entre governos x empreiteiras.


Nada de novo no Brasil de todos nós. Penas!
Fontes: pesquisa do autor para o livro "A cidade do Rio Grande", a sair pela editora Top Books, Rio de Janeiro; "Farquhar - O último titã", de Charles Gauld; Wikipedia para a foto do senador; site Papareia para a foto da Ilha do Ladino, com maquinário das obras do aterro para o porto novo, entre 1908-1915.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhP3ctOx1ko1CbMTFwkhj2wzSlXfK0UW0R8UpjOwG4eOSCxGtruio44K5898KlT6ICG0qS9YWGUpNTbTw8wzWJBkJMO9ab_5xDj66JHLb37ksTjzIM3sPg5j8Ul6fXLHPTv_KhRyUJrBFM/s1600/Porto+Ilha+do+Ladino.jpg